Liturgia diária › 12/10/2017

Nossa Senhora da Conceição Aparecida . Solenidade

1ª Leitura – Est 5,1b-2; 7,2b-3

Concede-me a vida do meu povo – eis o meu desejo!

Leitura do Livro de Ester 5,1b-2; 7,2b-3

1b Ester revestiu-se com vestes de rainha
e foi colocar-se no vestíbulo interno do palácio real,
frente à residência do rei.
O rei estava sentado no trono real,
na sala do trono, frente à entrada.
2 Ao ver a rainha Ester parada no vestíbulo,
olhou para ela com agrado
e estendeu-lhe o cetro de ouro que tinha na mão,
e Ester aproximou-se para tocar a ponta do cetro.
7,2b Então, o rei lhe disse:
“O que me pedes, Ester; o que queres que eu faça?
Ainda que me pedisses a metade do meu reino,
ela te seria concedida”.
3 Ester respondeu-lhe:
“Se ganhei as tuas boas graças, ó rei,
e se for de teu agrado,
concede-me a vida – eis o meu pedido! –
e a vida do meu povo – eis o meu desejo!
Palavra do Senhor.

Salmo – Sl 44(45),11-12a.12b-13.14-15a.15b-16 (R. 11.12a)

R. Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
que o Rei se encante com vossa beleza!

11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto: +
“Esquecei vosso povo e a casa paterna! *
12a Que o Rei se encante com vossa beleza! R.

12b Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor! +
13 O povo de Tiro vos traz seus presentes, *
os grandes do povo vos pedem favores. R.

14 Majestosa, a princesa real vem chegando, +
vestida de ricos brocados de ouro, *
15a Em vestes vistosas ao Rei se dirige, R.

15b e as virgens amigas lhe formam cortejo, +
16 entre cantos de festa e com grande alegria, *
ingressam, então, no palácio real”. R.

2ª Leitura – Ap 12,1.5.13a.15-16a

Um grande sinal apareceu no céu.

Leitura do Livro do Apocalipse de São João 12,1.5.13a.15-16a

1 Apareceu no céu um grande sinal:
uma mulher vestida do sol,
tendo a lua debaixo dos pés
e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas.
5 E ela deu à luz um filho homem,
que veio para governar todas as nações
com cetro de ferro.
Mas o filho foi levado para junto de Deus
e do seu trono.
13a Quando viu que tinha sido expulso para a terra,
o dragão começou a perseguir a mulher
que tinha dado à luz o menino.
15 A serpente, então,
vomitou como um rio de água atrás da mulher,
a fim de a submergir.
16a A terra, porém, veio em socorro da mulher.
Palavra do Senhor.

Evangelho – Jo 2,1-11

Fazei o que ele vos disser.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João 2,1-11

Naquele tempo:
1 Houve um casamento em Caná da Galiléia.
A mãe de Jesus estava presente.
2 Também Jesus e seus discípulos
tinham sido convidados para o casamento.
3 Como o vinho veio a faltar,
a mãe de Jesus lhe disse:
“Eles não têm mais vinho”.
4 “Mulher, por que dizes isto a mim?
Minha hora ainda não chegou.”
5 Sua mãe disse aos que estavam servindo:
“Fazei o que ele vos disser”.
6 Estavam seis talhas de pedra colocadas aí
para a purificação que os judeus costumam fazer.
Em cada uma delas cabiam mais ou menos cem litros.
7 Jesus disse aos que estavam servindo:
“Enchei as talhas de água”.
Encheram-nas até a boca.
8 Jesus disse:
“Agora tirai e levai ao mestre-sala”.
E eles levaram.
9 O mestre-sala experimentou a água,
que se tinha transformado em vinho.
Ele não sabia de onde vinha,
mas os que estavam servindo sabiam,
pois eram eles que tinham tirado a água.
10 O mestre-sala chamou então o noivo e lhe disse:
“Todo mundo serve primeiro o vinho melhor
e, quando os convidados já estão embriagados,
serve o vinho menos bom.
Mas tu guardaste o vinho melhor até agora!”
11 Este foi o início dos sinais de Jesus.
Ele o realizou em Caná da Galiléia
e manifestou a sua glória,
e seus discípulos creram nele.
Palavra da Salvação.

Reflexão – Jo 2, 1-11

Hoje celebramos a nossa padroeira, a Mãe Aparecida. E para melhor viver esta data tão importante, vamos refletir sobre a homilia na Dedicação da Basílica Nacional de Aparecida, do papa João Paulo II, intitulada: “A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda”.

“Viva a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada, a Senhora Aparecida!”

Desde que pus os pés em terra brasileira, nos vários pontos por onde passei, ouvi este cântico. Ele é, na ingenuidade e singeleza de suas palavras, um grito da alma, uma saudação, uma invocação cheia de filial devoção e confiança para com aquela que, sendo verdadeira Mãe de Deus, nos foi dada por seu Filho Jesus no momento extremo da sua vida para ser nossa Mãe.

Sim, amados irmãos e filhos, Maria, a Mãe de Deus, é modelo para a Igreja, é Mãe para os remidos. Por sua adesão pronta e incondicional à vontade divina que lhe foi revelada, torna-se Mãe do Redentor, com uma participação íntima e toda especial na história da salvação. Pelos méritos de seu Filho, é Imaculada em sua Conceição, concebida sem a mancha original, preservada do pecado e cheia de graça.

Ao confessar-se serva do Senhor (Lc 1,38) e ao pronunciar o seu sim, acolhendo “em seu coração e em seu seio” o mistério de Cristo Redentor, Maria não foi instrumento meramente passivo nas mãos de Deus, mas cooperou na salvação dos homens com fé livre e inteira obediência. Sem nada tirar ou diminuir e nada acrescentar à ação daquele que é o único Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, Maria nos aponta as vias da salvação, vias que convergem todas para Cristo, seu Filho, e para a sua obra redentora.

Maria nos leva a Cristo, como afirma com precisão o Concílio Vaticano II: “A função maternal de Maria, em relação aos homens, de modo algum ofusca ou diminui esta única mediação de Cristo; antes, manifesta a sua eficácia. E de nenhum modo impede o contato imediato dos fiéis com Cristo, antes o favorece”.

Mãe da Igreja, a Virgem Santíssima tem uma presença singular na vida e na ação desta mesma Igreja. Por isso mesmo, a Igreja tem os olhos sempre voltados para aquela que, permanecendo virgem, gerou, por obra do Espírito Santo, o Verbo feito carne. Qual é a missão da Igreja senão a de fazer nascer o Cristo no coração dos fiéis, pela ação do mesmo Espírito Santo, através da evangelização? Assim, a “Estrela da Evangelização”, como a chamou o meu Predecessor Paulo VI, aponta e ilumina os caminhos do anúncio do Evangelho.

Este anúncio de Cristo Redentor, de sua mensagem de salvação, não pode ser reduzido a um mero projeto humano de bem-estar e felicidade temporal. Tem certamente incidências na história humana coletiva e individual, mas é fundamentalmente um anúncio de libertação do pecado para a comunhão com Deus, em Jesus Cristo. De resto, esta comunhão com Deus não prescinde de uma comunhão dos homens uns com os outros, pois os que se convertem a Cristo, autor da salvação e princípio de unidade, são chamados a congregar-se em Igreja, sacramento visível desta unidade humana salvífica.

Por tudo isto, nós todos, os que formamos a geração hodierna dos discípulos de Cristo, com total aderência à tradição antiga e com pleno respeito e amor pelos membros de todas as comunidades cristãs, desejamos unir-nos a Maria, impelidos por uma profunda necessidade da fé, da esperança e da caridade.

Discípulos de Jesus Cristo neste momento crucial da história humana, em plena adesão à ininterrupta Tradição e ao sentimento constante da Igreja, impelidos por um íntimo imperativo de fé, esperança e caridade, nós desejamos unir-nos a Maria. E queremos fazê-lo através das expressões da piedade mariana da Igreja de todos os tempos.

A devoção a Maria é fonte de vida cristã profunda, é fonte de compromisso com Deus e com os irmãos. Permanecei na escola de Maria, escutai a sua voz,segui os seus exemplos. Como ouvimos no Evangelho, ela nos orienta para Jesus: Fazei o que ele vos disser (Jo 2,5). E, como outrora em Caná da Galiléia, encaminha ao Filho as dificuldades dos homens, obtendo dele as graças desejadas. Rezemos com Maria e por Maria: ela é sempre a “Mãe de Deus e nossa”.

Colaboração: Padre Adriano Francisco da Silva, IVE

Fonte: CNBB