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Tudo pela Missão!

Católico Digital › 01/03/2018

Seminarista Salathiel de Souza em missão na Comunidade Santa Luzia, em São Luís do Anauá, no estado de Roraima.

Em janeiro deste ano, o seminarista Salathiel Westphalen de Souza, da Diocese de Jundiaí (SP), partiu em Missão Ad gentes para Roraima, juntamente com o Padre Adeilson Rodrigues dos Santos, o seminarista João Renan Paisca Bersan e o Diácono Paulo Morais de Oliveira, acompanhado da esposa Vera Lúcia dos Santos Oliveira.

Em entrevista ao portal Católico Digital, o seminarista Salathiel conta um pouco da experiência que tem vivido como missionário e meio para levar as pessoas a se encontrarem com Deus. Confira!

Católico Digital: Quais foram suas expectativas quando recebeu a notícia de que iria ser missionário em outro estado?

Sem. Salathiel: Quando eu teria oportunidade de me aventurar na fé, conhecendo uma outra realidade brasileira, se não fosse nesse estágio missionário? Há anos estava ciente que essa fase chegaria. Cumprindo uma das etapas formativas rumo ao sacerdócio, fiquei feliz ao saber que seria enviado em Missão para o Estado de Roraima, para atuar nas cidades de São Luís do Anauá, São João da Baliza e Caroebe. Por aqui devo permanecer até julho próximo.

Católico Digital: Como foi sua acolhida em Roraima e como tem sido a experiência de missão?

Sem. Salathiel: Em Boa Vista fui recepcionado pelo Padre Adeilson e pelo bispo daqui, Dom Mario Antonio da Silva que, inclusive, tem parentes na cidade de Salto (SP), que pertence a Diocese de Jundiaí. Já experimentei um açaí de verdade, amazônico e sem açúcar, além do peixe Tambaqui e da maniçoba com arroz e farinha de maniva brava. Não sou muito afeito a aventuras gastronômicas, então que Deus me ajude! Já sobre a missão, entre as cidades de São Luís do Anauá, São João da Baliza e Caroebe temos 22 comunidades para acompanhar. É muito trabalho! A maioria fica nas vicinais da zona rural, que distam dezenas de quilômetros entre si. As estradas são quase todas de terra, com pontes de madeira improvisadas. Para cada ponte, uma ave-maria.

Católico Digital: Quais trabalhos tem desenvolvido como missionário diante da realidade local?

Sem. Salathiel: O povo é muito simples e acolhedor. Já pude conduzir celebrações da Palavra na capela de São João Evangelista (Caroebe) e na Igreja Matriz de São João Batista (Baliza). É reconfortante saber que onde há cruz, sacrário e povo, aí está a Igreja Católica Apostólica Romana! Tenho colaborado também na elaboração de um Guia Paroquial e de materiais para o Canto Litúrgico para incentivar o povo. Aqui, em São João da Baliza (RR), a Igreja Católica tem também um espaço semanal na programação da Rádio Baliza 87,9 FM. Trata-se do programa “Semeando a Palavra”, que vai ao ar todas as sextas-feiras das 14h30 às 16h (horário de Brasília) e pode ser acompanhado ao vivo pela internet, acessando www.balizafm.com.br. Estou colaborando na apresentação desse programa todas as segundas e quartas 6ª feiras do mês.

Católico Digital: Quais desafios você tem encontrado para levar a Palavra de Deus às pessoas?

Sem. Salathiel: Nas estradas roraimenses, mesmo nas rodovias federais, é muito comum encontrar pontes improvisadas sobre alguns riachos e igarapés. São bem simples, feitas com toras e tábuas de madeira. Dia desses, ao chegar numa dessas pontes, verifiquei um buraco nela. E então? O que fazer? A prudência diz que é melhor não passar. A volta pra casa parece então ser uma boa opção. Mas é domingo! É o dia do Senhor Jesus! Do outro lado da ponte a estrada continua e quilômetros adianta uma comunidade de fiéis católicos esperam pela Celebração da Palavra e pela Eucaristia! O carro de um missionário não precisa somente de pneus, motor e combustível. Precisa também de muita fé, ânimo e coragem. E eu ali, diante do buraco naquela ponte pinguela. Rezo uma ave-maria pedindo a intercessão de Nossa Senhora da Ponte. Confio que o meu Anjo da Guarda ficará de olho em qualquer tábua que possa se quebrar. Acelero um pouco, passo devagar e passo! Ufa! Estou tranquilo até a próxima ponte.

Católico Digital: Qual reflexão você pôde fazer desses quase dois meses de missão?

Sem. Salathiel: Nesta vida nós, que nos consideramos pessoas de Deus, temos que ser como pontes entre o Criador e seus filhos e filhas. São tantas as pessoas afastadas do Pai porque não sabem como ter acesso a Ele! São tantos os que não fazem a experiência do divino porque não encontram um caminho de passagem entre este mundo e o outro! São inúmeros os que não se dão conta do sagrado da vida humana e da vida eterna! Nós, que nos consideramos pessoas de fé, precisamos ser pontes que ligam essas pessoas a Deus. E não podemos ser pontes quaisquer, feitas por algumas tábuas e só. Estas podem até aguentar o tranco, mas não inspiram confiança. Alguns se dispõem a atravessá-las, mas quantos preferem fazer o caminho de volta? Precisamos ser pontes que levam para Deus. Pontes firmes, bem fincadas e sólidas, que levem em segurança rumo ao Pai, pela fé.

“São tantas as pessoas afastadas de Deus porque não sabem como ter acesso a Ele. Precisamos ser pontes que levam para Deus”

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