Estilo de Vida

Casais, aprendam a importância do diálogo

Canção Nova › 02/05/2018

Saiba como estimular o diálogo sem brigas e ainda melhorar seu relacionamento

Quando se fala em diálogo, muita gente já sente um frio na espinha e rejeita a proposta rapidamente. Talvez, porque dialogar remeta à ideia de discutir a relação, as famosas DRs. Mas diálogo não tem nada a ver com discussão. Ninguém nasce sabendo dialogar, mas é um aprendizado contínuo e necessário para toda a vida.

Outro dia, fiquei tocado com um muçulmano que se casou com uma mulher cristã. Ele me disse que se sentia muito feliz em dialogar com a esposa, porque as conversas não se resumiam aos afazeres de casa ou filhos, mas ambos se enriqueciam. Ela estuda direito e ele é comerciante. Ele vai à Mesquita e ela vai à Igreja Católica. Ou seja, eles permitiram que as diferenças se tornassem combustível para alimentar o amor entre eles.

Papa Francisco oferece dez ensinamentos para aprender a dialogar

Neste sentido, queremos descobrir juntos como obter sucesso no diálogo. Para nos ajudar nessa descoberta, dicas preciosas do Papa Francisco estão contidas na Exortação Apostólica Amoris Laetitia:

1. Requer aprendizagem

O diálogo “requer uma longa e diligente aprendizagem”. O Santo Padre explica que “homens e mulheres, adultos e jovens têm maneiras diversas de se comunicar, usam linguagens diferentes, regem-se por códigos distintos”. É que a comunicação pode ser influenciada por muitos fatores como a maneira de perguntar, o jeito de responder, o tom que se usa, a hora escolhida. O diálogo autêntico é favorecido por atitudes de amor.

2. Reserve tempo

Escutar com paciência e atenção necessita de um tempo de qualidade. Deixe seu cônjuge manifestar tudo o que precisa comunicar. “Isso requer a ascese de não começar a falar antes do momento apropriado”. Não fique dando opiniões ou conselhos, mas procure estar seguro de escutar tudo o que o outro tem necessidade de dizer.

3. Silêncio interior

Não tenha pressa, esqueça necessidades e urgências, ofereça espaço: “isto implica fazer silêncio interior para escutar sem ruídos no coração e na mente”. Coloque, na sua cabeça, que, na maioria das vezes, seu cônjuge não precisa de solução para problemas, apenas quer ser ouvido.

4. Dê importância real à pessoa

É preciso desenvolver o hábito de dar real importância ao outro. Para isso, busque valorizá-lo, reconhecê-lo no direito de existir, de pensar de maneira autônoma e feliz. Nunca subestime o que diz ou reivindica. Isso não impede que você expresse seu ponto de vista. Todos temos algo a oferecer. “É possível reconhecer a verdade do outro, a importância das suas preocupações mais profundas e a motivação de fundo do que diz, inclusive das palavras agressivas”, ensina o Papa. Crie empatia: coloque-se no lugar da pessoa para interpretar a profundidade do seu coração. Entenda o que o apaixona e tome essa paixão como ponto de partida para aprofundar o diálogo.

5. Abra a cabeça

O Papa Francisco utiliza a expressão “amplitude mental”. Seja flexível em suas opiniões. A partir do diálogo, ideias diferentes podem surgir e, com isso, uma nova síntese poderá enriquecer ambos. União não quer dizer uniformidade, mas uma harmonia na diversidade ou uma “diversidade reconciliada”. Libertem-se “da obrigação de serem iguais”.

6. Expresse sem ferir

Não deixe que eventuais interferências destruam um processo de diálogo. Identifique “maus sentimentos” e não dê a eles tanto peso para que não prejudiquem a comunicação. É possível expressar o que sentimos sem ferir. Utilize linguagem e modo de falar mais adequados, expresse críticas, sem descarregar a ira como uma forma de vingança e evite linguagem moralizante agressiva, irônica e condenadora. Muitas discussões são motivadas por pequenas coisas, mas acabam ficando quentes por causa da nossas atitudes ou da maneira como as dizemos.

7. Carinho

Gestos de carinho permitem superar as piores barreiras. “Quando se pode amar alguém ou quando nos sentimos amados por essa pessoa, conseguimos entender melhor o que ela quer exprimir e nos fazer compreender”, garante Francisco.

8. O outro não é concorrente

“É preciso superar a fragilidade que nos leva a temer o outro como se fosse um concorrente”. Cultive sua segurança em opções profundas, convicções e valores, e não no desejo de ganhar uma discussão ou de ter razão.

9. Principais reclamações

Fique atento para alguns fatores que atrapalham o diálogo. Reclamações comuns são:
1. Não me ouve;
2. Quando parece que o faz, na realidade está a pensar noutra coisa;
3. Falo-lhe e tenho a sensação de que está à espera que acabe de vez;
4. Quando lhe falo, tenta mudar de assunto ou dá-me respostas rápidas para encerrar a conversa.

10. Alimente o interior

O diálogo é alimentado com leitura, reflexão pessoal, oração e abertura à sociedade. “Caso contrário, a conversa torna-se aborrecida e inconsistente. Quando cada um dos cônjuges não cultiva o próprio espírito e não há uma variedade de relações com outras pessoas, a vida familiar torna-se endogâmica e o diálogo fica empobrecido”, alerta o Santo Padre.

Espero que esses conselhos práticos nos ajudem em nosso itinerário de crescimento. Lembre-se que sempre é tempo de recomeçar! Quem sabe hoje seja o dia de promover um momento especial de diálogo. Certamente, os frutos desse momento vão ser percebidos por toda a vida de vocês.

Por Rodrigo Luiz dos Santos (via Canção Nova)

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